Warning: php_uname() has been disabled for security reasons in D:\http\respirareviver\web\wp-content\plugins\magic-fields-2\mf_extra.php on line 39 ABRAF - Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de HIPERTENSÃO ARTERIAL PULMONA

Fabiana Braga


fabiana-vieira-bragaMeu nome é Fabiana, tenho 32 anos e morava no interior do Mato Grosso, a 480 quilômetros da capital Cuiabá. Aos 27 anos, tive um filho, de parto normal e – não me recordo quanto tempo depois – comecei a sentir sintomas como falta de ar, fadiga com a prática de exercício e minha voz começou a ficar rouca. A cada dia os sintomas pioravam e minha família, percebendo meu estado, me convenceram que eu deveria procurar um médico para saber o que estava havendo.

Fui primeiro em uma endocrinologista para saber se tinha problema na Tireoide, mas graças a Deus estava tudo bem. Então fui ao cardiologista, que pediu para que eu fizesse um eletrocardiograma e raio-x de tórax. Quando levei os exames para o cardiologista, ele me disse que havia dado “uma alteração e ele achava que era problema de válvula” e pediu para que eu fizesse um eco cardiograma para saber o que estava havendo comigo. A partir deste momento fiquei muito preocupada, pois meu pai tinha arritmia e chagas e minha irmã mais velha tem arritmia.

Durante o eco cardiograma, o médico que estava fazendo o exame falava muitas coisas, mas eu não entendia nada. Ele me falou que eu teria que fazer outro cateterismo e possivelmente uma cirurgia. Eu já havia acompanhado meu pai num tratamento em que ele precisara fazer o cateterismo e, na época, o médico havia me dito que era de risco. Me lembrei disso e fiquei apavorada.

Levando o exame ao cardiologista, ele me disse que eu nasci com um espaço no coração e teria que fazer o cateterismo para medir este espaço e fazer uma cirurgia para tampá-lo. Fiquei novamente apavorada, pois já tinha 30 anos de idade e nunca soube que tinha esse problema. Fiz o cateterismo, que foi traumatizante para mim; senti muita dor após o exame e até desmaiei. Fiz a cirurgia de CIA que durou 5 horas. Segundo os médicos, tive várias paradas cardíacas, fiquei 5 dias na UTI e 2 dias no quarto, até que tive alta. Após 5 meses voltei a trabalhar. Precisava andar 3 quadras para chegar ao trabalho, mas eu andava 1 quadra e já cansava muito, tinha falta de ar e dor no peito.

Achava que era da cirurgia… Então fui ao cardiologista novamente, que me disse que já tinha constado no exame que tinha feito anteriormente que eu tinha Hipertensão Pulmonar, e que era para eu procurar um especialista, pois ele não tratava isso. Eu não sabia o que era Hipertensão Pulmonar: comecei a pesquisar na Internet e me preocupei muito. Acho que os médicos acharam que a HP iria melhorar após a cirurgia, mas acho que foi o contrário. Cada dia que passava eu ficava pior, até que, numa madrugada, quando fui ao banheiro, só lembro de ter sentado no vaso e, quando acordei, estava no chão e não tive forças para levantar – estava passando muito mal e chamei meu esposo que, neste momento, estava no quarto dormindo. Ele veio e me ajudou a levantar. Eu machuquei o rosto devido à queda no chão e vomitava sem parar. Neste momento, ele me levou para o hospital, onde fiquei dois dias internada. Estava muito inchada, mas no município (interior) onde eu morava não havia cardiologista e tive que ser levada para a capital (Cuiabá). Chegando lá tive uma convulsão. Consultando com um cardiologista, ele me disse que eu teria que vir para São Paulo me tratar no INCOR.

No dia 30 de outubro de 2012 vim para São Paulo, para buscar tratamento, deixando meu filho de 4 anos e meu esposo, para ficar com uma tia que mora aqui em São Paulo. No dia 09 de novembro de 2012 consegui consulta no Pronto Socorro do INCOR, onde fui internada e recebi medicação. Fiquei aguardando uma vaga na UTI e, no dia seguinte, quando fui tomar banho, tive outra convulsão no banheiro do hospital. Na mesma noite me levaram para UTI e fiquei lá por 25 dias. Depois disso, fui para o quarto por 11 dias e, no dia 17 de dezembro de 2012, graças a Deus, saí do hospital.

Dou graças a Deus, pois ele colocou na minha vida uma excelente médica – a Dra. Ana Maria Thomaz, que cuidou muito bem de mim todo o tempo que fiquei no hospital e cuida até hoje. Ela é uma pessoa iluminada, diferente de alguns médicos que vi no Mato Grosso, que não tem consideração com o paciente. A Dra. Ana Maria Thomaz me disse que esta enfermidade tem quatro níveis e eu estava no último, mas que iria tentar fazer com que a minha qualidade de vida melhorasse. Mas eu não poderia voltar neste ano de 2013 para o Mato Grosso, pois lá não tem tratamento para mim e, por isso tivemos que mudar aqui para São Paulo. Tomo 7 tipos de medicação, totalizando 18 comprimidos por dia e faço exame TP todo mês para controlar a coagulação do sangue.

Conviver com a Hipertensão Pulmonar é uma tarefa muito difícil, que modificou meus planos, mas não apagou meus sonhos. Dou Graças a Deus todos os dias por estar viva.