Warning: php_uname() has been disabled for security reasons in D:\http\respirareviver\web\wp-content\plugins\magic-fields-2\mf_extra.php on line 39 ABRAF - Associação Brasileira de Amigos e Familiares de Portadores de HIPERTENSÃO ARTERIAL PULMONA

Elissandra Silverio


Me chamo Elissandra e moro em Joinville, Santa Catarina. Tenho 29 anos, sou casada há 12, tenho um filho lindo e sou portadora de Hipertensão Pulmonar.

Elissandra SIlverioPassava da metade do ano de 2008 quando comecei a sentir os primeiros sintomas: falta de ar e coração acelerado. Não dei muita importância, imaginei que todo esse cansaço vinha da vida corrida que tinha e dos quilinhos a mais.

Ainda no fim de 2008 resolvi engravidar. Fiz vários exames e nenhuma alteração foi constatada e eu nem cheguei a comentar com o médico sobre o que vinha sentindo.

Na véspera de Natal, passei muito mal após subir uma escada e fui hospitalizada. Foram 24 dias e muitos exames até o diagnóstico confirmado por Cintilografia e Ecocardiograma. TEP (Tromboembolismo Pulmonar) e HP. Junto com a descoberta da HP veio a notícia da gravidez de 6 semanas. Poucos dias depois, porém, perdi o bebê.

A partir daí iniciamos a busca por tratamento adequado e medicação.Com a imensa dedicação do médico, do meu marido e a ajuda de alguns amigos, não demorou para que eu fosse encaminhada para consulta em um Centro de Referência em São Paulo para iniciar a medicação- esta obtida sob via judicial.

Em abril de 2009 passei a tomar o Sildenafil, entre outros medicamentos, para controle da doença e obtive uma significativa melhora. Continuei trabalhando e tendo uma vida praticamente normal, respeitando sempre as poucas limitações que tinha.

Nesse período conheci muitos outros portadores de HP, grande parte através das redes sociais, e, ao conhecer cada história de superação, força e fé, fui ficando mais valente e encarando a HP sem medo.

Em abril de 2011, descobri que estava grávida. Não planejei, já que sempre soube claramente dos riscos de uma gestação a uma portadora de HP. A doença estava controlada. Inclusive já havíamos dado entrada para o cadastro de adoção e meu marido vinha, há meses, tentando liberação do plano de saúde para fazer vasectomia. Essa foi a parte mais difícil até então. Eu poderia interromper a gravidez: os riscos eram enormes. Mas, mesmo com todas as contraindicações, juntei todas as minhas forças e decidi encarar.

O amor do meu marido, muito repouso, muitos cuidados médicos, muita fé e oração trouxeram ao mundo, com 30 semanas e muita saúde, meu filho Igor. Graças a Deus e, mais uma vez, à dedicação do médico, que não poupou esforços em montar a melhor equipe e as melhores condições possíveis, o parto correu bem, mais ainda havia muitos riscos.

No pós-parto aconteceu o que os médicos chamam de “desconpensação”, que é como uma bagunça no organismo de quem tem HP – pioram muito os sintomas, a doença pode avançar e ser fatal. É preciso então ajustar a medicação ou iniciar outras terapias. No meu caso, passei a usar mais uma medicação, o Bosentana. Foram semanas de internação e meses até sentir alguma melhora.

Nada voltou a ser como antes, mas hoje posso dizer que a HP está novamente sob controle, mesmo com o aumento dos sintomas. Não é possível caminhar muito, nem subir escadas, nem correr atrás do filho… Há dias em que até trocar de roupa é muito difícil. Ainda assim, é mais fácil aprender a conviver com estas limitações do que com o preconceito das pessoas e com a constante luta pelos nossos direitos, principalmente com relação aos medicamentos de alto custo.

Ninguém aceita com facilidade uma enfermidade assim, mas existe VIDA após a HP, família, filhos e sonhos. E ela te faz ver o mundo com outros olhos e a valorizar coisas que antes passariam despercebidas.

Aos amigos portadores de HP, ou Tartarugas, como carinhosamente nos apelidamos, já que mesmo andando devagar, pretendemos viver 100 anos, quero dizer: precisamos acreditar e confiar em Deus, nos médicos, na ciência. Aos poucos, novos medicamentos e terapias estão chagando para melhorar nossa qualidade de vida enquanto não chega a tão sonhada cura.

Vamos estar informados e divulgar a doença, nos dedicar ao tratamento, respeitar nossos limites, participar dos Grupos de Apoio, que são uma grande família, e estar perto de quem amamos. Estejam certos: somos muito maiores e mais fortes que a HP.

E para terminar, gostaria de agradecer a Deus, meu marido Júnior, meu filho Igor, Dr. Fabiano, Dra. Eloara, Dra. Roberta e toda a equipe. Eles seguram minha mão e me ajudam para que minha caminhada na vida sela mais LONGA e mais FELIZ.